21 de maio de 2015

Educazione, dove sei?

     Escrevo este texto com a finalidade de expressar toda a minha raiva, minha revolta, minha tristeza e, principalmente, compartilhar plenamente, com vocês leitores, a causa desta minha indignação. Desde a minha primeira postagem eu venho afirmando que a escola é um lugar de muitas experiências e vivências, o âmbito no qual aprendemos literalmente a viver. Mas, ao ler uma reportagem, postada pelo jornal O Estadão, com a seguinte manchete "Estudante de 12 estuprada por 3 pediu 'desculpa' para mãe", me perguntei "como posso tentar convencer a todos de que estar no colégio e, também, participar desse meio é algo essencial se ações como essa são cada vez mais frequentes?" Como posso dar continuidade a esse raciocínio, quando muitas escolas desse Brasil simplesmente não estão aptas a receber e educar de forma coerente e segura o estudantes? Hoje, podemos observar nas escolas, principalmente nas públicas, bolsas recheadas de drogas, bebidas e armas, ao invés de conter livros, cadernos e canetas. Encontramos traficantes, estupradores e delinquentes, ao invés de estudantes conscientes de que o futuro deles começa naquele prédio. Carecemos de professores motivados, que dão exemplos, que fazem a diferença e, realmente, eduquem com respeito e dedicação aqueles poucos que ainda procuram ser verdadeiros cidadãos. De outro modo, temos professores entregados ao medo, a mercê da 'piedade' dos estudantes, dominados e desamparados. Nas casas, muitas famílias não se interessam pelo estudo das crianças e ainda são capazes de culpar os educadores pelo mau desempenho dos filhos. Mais ainda, também possuímos uma sociedade que faz pouco caso da educação e de quem se dispõe a trabalhar e lutar por ela. E, para finalizar, somos controlados por um governo que não é capaz de ver que o quanto o país depende dela. Nesse sentido, meu objetivo com este texto é fazer uma reflexão a respeito da crise corruptiva que permeia nosso sistema educacional. Uma crise caracterizada por um estado repleto de greves e revoltas, rodeada de más intenções, sem a mínima educação, desprovida de civilidade e, principalmente, marcada pela perda total de humanidade. Partindo do princípio de que a busca do saber é o que produz o desenvolvimento e de que a educação, em sua essência, é o que move o mundo é pertinente levantar os seguintes questionamentos: por que ela não é levada a sério e não é tratada com respeito? Ou melhor, por que ela é tratada com descaso e sem nenhuma valorização? Pode-se afirmar que a dificuldade em reconhecer o valor do conhecimento permite professores sofrerem abusos e agressões. Contribuí para a depredação e destruição das escolas, muitas vezes causadas pelos próprios alunos. Logo, esses podem ser os motivos de tanta miséria, de tanto crime e de tantos atos como os da manchete citada. Gostaria com essa reflexão fazer um apelo a você leitor, a você estudante, a você que está inserido em uma das poucas escolas privilegiadas que não apresenta essa realidade, que além de se preocupar com aqueles que não possuem essa condição, também se dispusesse a contribuir para que a educação não seja só uma palavra, um adjetivo, mas sim, parte efetiva da nossa realidade, parte de nós. Ainda sonho com o dia em que notícias como essa serão apenas história.

PS.: Os exemplos citados são meras generalizações, reconheço que vários colégios, professores e alunos lutam ardentemente para mudar essa realidade.
PSS.: O link da manchete está na própria manchete.

11 de maio de 2015

Il lato oscuro della luna

Na minha concepção de estudante, a maior dificuldade que temos não é só saber conciliar os estudos com o trabalho, o curso extra e a vida social. Mas sim saber definir e selecionar os sentimentos, o que ocupa nossa mente e nosso coração. Estar na sala de aula e estar com a cabeça em outros problemas, em outros obstáculos, em outros acontecimentos que acabam por atrapalhar nosso raciocínio é o que mais nos consome. Como já disse, o ambiente escolar não é só estudo e conteúdo e provas, e sim um lugar de vivencia, de relacionamento, lugar complexo, que inúmeros assuntos. Porém, dividir o tempo diário é algo concreto, matemático, podemos calcular, deixamos de fazer algumas coisas e já arrumamos o tempo necessário para aquela pesquisa, ou aquele livro de literatura que precisamos ler para o seminário. Mas quando diz respeito aos nossos sentimentos, não temos alternativa que nos faça concentrar. Perdemos o foco, acabamos viajando nos pensamentos, compenetrados não pela matéria, mas naquela pessoa; focados não em achar a solução para aquele cálculo matemático, mas no problema que temos fora - ou até mesmo dentro - da classe. Esse sim é o maior desafio dos jovens estudantes, tantos sentimentos, tantas pessoas, e ainda tantos conteúdos, desafios, trabalhos, fórmulas, detalhes da história que não podemos esquecer, vestibular, provas e por aí vai. E tudo isso nos é exigido com rigidez, como obrigação, temos que ser os melhores no que fazemos, ter as melhores notas, alcançar a maior pontuação no vestibular, ser interessante, culto, educado, pacifico, calmo, simpático e por que não dizer alienado? Não se pode extravasar, não se pode pedir um tempo, pedir pra sair, pedir "arrego", como diz meu querido amigo Sitoni. Não podemos. Precisamos ser perfeitos todo o tempo. Precisamos ser aceitos pela sociedade, e se escorregamos, se damos um passo em falso, lá se vão os esforços pra tanto. E, diante de todo esse emaranhado de coisas, peço educadamente, que nos respeitem, que tentem entender que fazemos tudo o possível para aparecer como aquela pessoa inquebrável, e por isso, tenham paciência com nossas crises - existenciais, de fúria, de medo, de insegurança. E termino compartilhando da letra de uma música "Querendo o que não podia ter sido, ser feito de aço e não de vidro" (Capital Inicial).

8 de maio de 2015

Studiaremo

Quais suas experiências educacionais? Quais suas vivências num âmbito o qual passamos boa parte do dia? O que se aprende no colégio? Aprendemos como usar as leis da físicas, como fazer cálculos, dos mais variados e complicados, aprendemos as características sobre outras sociedades, a história das civilizações. Aprendemos a escrever, aprendemos a ler, aprendemos a ser. Tornamo-nos mais humanos, modificamos nosso caráter, nosso entendimento, nossas opiniões. E por que não dizer que aprendemos a viver? Aprendemos a nos expressar, aprendemos a respeitar, a conviver, descobrimos quem realmente somos, descobrimos nós mesmos. E por que não dizer que aprendemos a amar? Cativamos e somos cativados, cultivamos amizades que serão levadas para o mundo, formamos laços, relações duradouras. Construímos confiança mútua e apoio recíproco. E é esse o objeto que levaremos para fora do prédio escolar, no mais íntimo da nossa alma, levaremos o amor que nos foi ensinado, o amor que em nós foi cultivado. Levaremos os bons conselhos, carregar-nos-emos daquilo que nos faz sorrir quando o Universo conspira contra nós, quando o único adereço que o Universo nos oferece são as lágrimas. É no colégio que somos quem queremos ser, que enxergamos o que nos é ocultado, que aprendemos acima de tudo a construir nossa existência, nossa vida e nosso legado. E sejamos realistas, sentiremos falta de cada momento. De cada evento, de cada projeto, de cada ensinamento, de cada instrução. Levaremos tudo em nós. Pois, "a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida" (Dawley, John).