14 de março de 2016

Crítica a Cultura Contemporânea

     A cultura em si é o conjunto de símbolos produzidos a partir da linguagem humana, como o próprio idioma, as imagens, as músicas, a arquitetura, as produções literárias, o cinema, a arte em si. Dessa forma ela reflete a identidade da sociedade, pois expressa a condição em que ela se encontra e como ela se organiza e se relaciona com os indivíduos e com a natureza. Nesse viés, ela se torna um elemento de análise e estudo social, uma ferramenta de conhecimento, que expressa sabedoria e provoca a crítica e o questionamento.
     Com o avanço da tecnologia e da mídia, a industrialização e a consolidação do capitalismo moderno e consequentemente a busca desenfreada por lucros, um elemento importante começou a tomar conta da cultura: a Indústria Cultural.
     A arte passou a ser industrializada e produzida em massa visando lucros. Então, os elementos constituintes da mesma, como a provocação ao questionamento, a expressão de sentimentos e da sabedoria, ficaram obsoletos e se dissiparam.
     A arte se tornou uma mercadoria. Logo a música, os livros, os filmes passaram a ter um preço e uma data de validade. Nesse sentido é possível perceber que antigamente quando a música ainda não era apenas mais uma mercadoria, e tinha características críticas e de intelectualidade, os cantores e bandas tinham longas e prósperas carreiras, deixavam legados e eram homenageados através dos tributos, como acontece até hoje com bandas como Legião Urbana e cantores como Cazuza que frequentemente são lembrados e suas obras continuam sendo ouvidas, analisadas e ainda constituem parte da cultura brasileira.
     O mesmo acontece com os livros que ao se classificarem em best-sellers (mais vendidos, ou seja, mercadorias) os leitores apenas procuram as obras que "todos estão lendo, comprando e comentando" e os autores que tem a maior quantidade de best-sellers publicados, ao invés de procurarem ler um livro apenas em nome da cultura e da intelectualidade. Logo, os livros mais lidos são romances clichês que apresentam apenas uma reestruturação de uma história que eu já conheço ou de algum livro que eu já li - mudam-se apenas os personagens e pequenas porções do enredo.
     Nessa perspectiva, observa-se que na atualidade a arte como mercadoria não tem durabilidade, é facilmente esquecida e é descartável. Daí os livros e filmes que são lançados e que dentro de pouco tempo se tornam "antigos" (exemplo disso é a Saga Crepúsculo, da qual não se tem mais notícia) e as dezenas e dezenas de duplas e de cantores sertanejos que vem, fazem sucesso e são esquecidos. Músicas que eram sucesso há três ou quatro anos, não são mais lembradas. Tornam-se facilmente obsoletas, ultrapassadas, velhas, assim como a tecnologia, por exemplo – enquanto antigamente depois de um tempo filmes, musicas e livros se tornavam clássicos e eram celebrados.
     Dessa maneira a arte que era uma identidade de uma sociedade, singular e particular a ela, passa a ser padronizada - as vezes no mundo todo. E ainda no viés do sertanejo universitário, estilo de música predominante no Brasil, é possível perceber a forte padronização dos artistas e das próprias músicas. Gusttavo Lima, Lucas Lucco, Luan Santana, Michel Teló; João Bosco e Vinicius, Jorge e Mateus, Munhoz e Mariano, e a lista segue imensa. Em músicas como "Tchê tchererê tchê tchê", "Bará bará bará, Berê berê berê", "Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha", percebe-se o padrão e a falta de intelectualidade - note que tais músicas, lançadas em 2011/12 já são obsoletas e não tocam mais nas rádios.
     Assim, as artes como mercadorias, são manipuladas e padronizadas ao interesse do capital. Como mercadorias, são “oferecidas” – inconscientemente impostas – pela mídia. Como mercadorias, não inovam (como inovaram na Semana de Arte Moderna por exemplo) e são apenas uma reprodução diferente do que já existe - não são totalmente originais. Como mercadoria deixa de ser arte e cultura e passa a ser consumida e a ser apenas um meio de entretenimento, que não é durável, que não aguça o pensamento, que não acrescenta à inteligência e não passa sabedoria e conhecimento, como costumava fazer.
     E nós compramos a nossa cultura. E somos mais uma vez alienados. Sem perceber. Ficamos cada vez mais estúpidos, menos críticos, mais intolerantes, menos questionadores, mais conformados e resignados.
     E assim deixo aqui o convite a reflexão sobre a “cultura” que temos, as músicas que gostamos, os filmes que assistimos e os livros que lemos (e também os que já esquecemos), e de como a mídia e os meios de comunicação influenciam e produzem tudo isso excluindo deles o senso crítico e essencialmente humano e expressivo que costumavam ter antes de serem apenas produtos industrializados.

1 de março de 2016

F.R.I.E.N.D.S.


     Grandes amizades nascem de pequenas coisas. Um bom dia, um abraço, uma simpatia, uma afinidade, ou até mesmo uma música. Grandes amizades não nascem do nada. Requerem atenção, paciência e ousadia. Grandes amizades nascem de um conselho, uma ajuda, um apoio, ou até um segredo. Grandes amizades nos modificam, nos ensinam e nos satisfazem. Algumas amizades nascem crescem e morrem (essas são as mais tristes), outras, morrem, crescem e por fim nascem (são as mais verdadeiras). É terrível quando um amigo se torna inimigo. É mágico quando um inimigo se torna amigo. Algumas amizades duram uma vida, outras, o colegial ou o verão. Algumas amizades viram casamento, outras viram festa. Alguns amigos são irmãos, e alguns irmãos são amigos. Algumas amizades são família, outras, "encontros familiares" (entediantes). Quando somos crianças, basta dizer oi a alguém para fazermos amigos. Por que ao crescermos isso muitas vezes muda? Algumas amizades são tão simples. E essas são as melhores.Tenho amigos espalhados por aí. Amigos e amizades de todos os tipos. Não me esqueço de nenhuma delas e sinto muita falta das que estão longe. Mas a vida é um contínuo ciclo. Amizades e amigos vêm e vão. Só quando os ciclos se completam é que conhecemos os que realmente nos somaram. Tive a graça de ter muitas amizades que somaram e continuam somando. Só peço a graça de guardar meus amigos, como Milton Nascimento cantou. Até a Bíblia diz que amigos são tesouros. Sendo assim, sou muito afortunada. Alguns ciclos se fecharam nos últimos tempos. Alguns amigos ficaram para trás, mas "qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar"(MN).
     Dedico essa primeira postagem de 2016 aos meus tesouros, "irmãos", "familiares", psicólogos, ursos, amores e por aí vai.