Nesses últimos tempos é cada vez mais difícil manter uma discussão civilizada acerca dos assuntos mais variados. Seja sobre religião, sobre política, sobre cultura, até mesmo sobre acontecimentos aleatórios. O que se vê e o que se cultiva é um ódio a todas as ideias contrárias as que defendo e uma idolatria cega ao que creio ser correto. Sendo assim, meu objetivo é convencer o outro - que tem posicionamentos contrários aos meus - de que eu é que estou certa e de que a minha ideia é a única plausível, aceitável e que deve ser seguida e respeitada. Em uma discussão a perspectiva do outro, desde que contrária a minha, não me interessa.
É dessa maneira que muitos se colocam em debates em geral, seja no Palácio do Planalto, seja na mesa do almoço ou na sala de aula. Percebe-se uma intolerância cega e irritante, ao ponto de um nem sequer deixar o outro terminar uma frase e se expressar de maneira satisfatória. Todos querem ser ouvidos e aceitos e ninguém quer ouvir nem aceitar o que o outro tem a dizer. Sendo assim, temos discussões infindáveis, que circulam entre xingamentos e ameaças, e não se entra em nenhum acordo pois existem dois extremos tentando convencer o outro a mudar de lado.
Nesses casos, penso que nenhum dos dois lados está correto e que ambos deveriam ceder em alguns pontos a fim de encontrarem um quesito que agrade ambas as partes. Mas quem é que vai ceder primeiro? Ninguém quer "perder" a discussão, a razão ou a palavra. Acontece que no fim ninguém sai satisfeito e todos saem difamados, estressados e chateados.
Não estou dizendo que essa minha reflexão está totalmente correta, nem estou defendendo cegamente uma tese. Estou apenas refletindo sobre esses discursos radicalistas que tanto se ouve por aí e que não são capazes de entrarem em um acordo com os que tem pontos de vista diferentes. Defendo apenas minha ideia de que se houvesse um "meio termo", um ponto de encontro entre os extremos, haveria um equilíbrio e uma harmonia saudável entre eles e assim chegaríamos a uma decisão mais facilmente, sem beneficiar ou desfavorecer nenhum dos lados.
Mas se você que está aqui lendo, pensa de outra maneira ou tem outra concepção acerca de tudo isso, agradeceria se viesse me contar seu ponto de vista, para que pudéssemos juntos estabelecer um ponto de encontro. E é dessa forma que se começa a mudar a maneira de debater os conceitos de hoje e a chegar em um ponto de equilíbrio. Pois se refletirmos sobre a música O Sol e a Peneira do grupo de música Teatro Mágico que diz "onde sobra intolerância, falta inteligência", estamos sendo bem burros ultimamente.
PS.: Aliás, a música citada é muito boa e faz duras e construtivas críticas. Recomendo. O link para o clipe da música disponível no YouTube está no próprio nome da música no texto.