Sou amante de rock e metal. E não apenas amante, escrevo sobre minha paixão, sou jornalista e escrevo sobre o que amo: música. Sempre que tem algum concerto em Paris ou na região procuro ir e assim escrevo sobre os eventos e sobre as bandas que se apresentam. Sendo assim, nessa sexta deixei minhas duas filhas lindas em casa para assistir ao show da banda Eagles of Death Metal, no Bataclan. Podia ter levado minhas meninas, assim como meus pais faziam comigo, me levavam para ver os shows que tinham na cidade e foi assim que eu passei a ser fã de Metallica, de Iron Maiden e dos Eagles também. Talvez assim eu pudesse ensinar minhas princesas a serem como o papai, elas tão fofas, mas seria bom poder compartilhar meus gostos com elas, extensões de mim. Meu sonho era levá-las comigo para um grande show, fazê-las felizes, vê-las sorrir e cantar comigo. Mas é um sonho que não vai se realizar. É um sonho que foi tirado de mim. Me roubaram a vida.
Alguns homens decidiram que seria melhor assassinar 129 vidas inocentes daquele restaurante, incluindo a minha e de amigos meus em prol de uma causa, de uma guerra. Ainda não entendi direito o porquê. Parece-me que eles não estavam satisfeitos com algo. Mas e de quem é a culpa? Deus, será? Que 'deixou a maldade influenciar o homem'? Ou dos americanos e europeus que decidiram que seria melhor matar o líder daqueles homens, que por sinal também matou dezenas de almas inocentes? De quem é a culpa? Ou a culpa é dos terroristas que invadiram o show e decidiram nos matar? Eu sou o culpado será? Ou melhor, existe culpado, ou isso é apenas uma consequência? E agora? E agora que eu me fui, como vai ser a vida de minhas filhas? E minha mulher? Meus amigos? Parentes? Algo vai mudar com minha morte, ou com a morte de algum dos inocentes que foram lá apenas para ouvir um bom rock e para se divertir um pouco?
Na verdade, dentre todas essas perguntas sem resposta, a que não quer calar, a pergunta mais intrigante e que mais me revolta é 'Quantas mortes ainda serão necessárias para que essa guerra acabe? Quantas famílias ainda vão ficar sem pai, sem mãe, quantos filhos ainda serão perdidos, quantos amigos que se irão, quantas almas ainda serão veladas para que o Mundo entenda e aprenda a se respeitar, para que as pessoas aprendam a ser solidárias e que deixem de ser tão intolerantes? Quantas mortes mais teremos que chorar? Será que pedir que isso acabe, que as pessoas tenham consciência das vidas que estão se esvaindo a cada dia por coisas tão banais, é demais? Pedir o direito a vida, é demais? Me digam, é pedir demais? O que ainda é necessário para que essa situação mude?
Baseado em uma história real, em uma pessoa real, com sonhos reais. Crônica sobre uma morte terrorista. Em memória de um fã de rock que morreu nessa última sexta-feira (13) e dos outros 128 fãs que foram assassinados em favor de uma causa, em nome de um 'deus', em nome de uma religião.
Baseado em uma história real, em uma pessoa real, com sonhos reais. Crônica sobre uma morte terrorista. Em memória de um fã de rock que morreu nessa última sexta-feira (13) e dos outros 128 fãs que foram assassinados em favor de uma causa, em nome de um 'deus', em nome de uma religião.
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