11 de novembro de 2015

Tese

     Atualmente a sociedade brasileira, como podemos perceber, está cada vez mais envolvida com os problemas sociais e polêmicos, como o casamento de casais homoafetivos. Esses estão sendo debatidos nas salas de aula, nas redes sociais ou em programas de televisão. No meio em que vivo não é diferente, tudo é colocado em pauta a todo o momento, e isso é infinitamente bom, já que abre a mente das pessoas e as faz pensarem sobre assuntos considerados tabus.
     Porém, nos últimos tempos cheguei a uma opinião menos específica do que uma posição sobre um dos tópicos citados. Cheguei à conclusão de que as pessoas têm imensa dificuldade de aceitar e administrar o que é diferente, o que não se encaixa nelas mesmas. E, me atrevo a dizer, que é daí que surge o preconceito e a discriminação.
     O debate e a discussão sobre assuntos divergentes é ótimo e imprescindível para a compreensão da civilização e do ser humano em si, de como ele pensa e de como ele se transforma e lida com as transformações. Entretanto, faz com que opiniões diferentes ou até mesmo contrárias sejam estabelecidas. Não há nenhum mal nisso, mas partindo desse ponto, o que se vê é uma intolerância e uma discriminação gritantes, de ambos os lados e em qualquer caso.
     Isso pode ser explicado pelo fato de que com a evolução das civilizações, o homem se tornou egocêntrico e individualista, e assim, incapaz de ao menos ouvir e absorver opiniões alheias ou contrárias. Assim, o homem é intolerante e não respeita o que é exterior e diferente dele e do que ele concorda.
     Nesse viés, Sócrates é um exemplo que pode ser analisado de como devemos agir diante das divergências: ele, filósofo da pluralidade por excelência segundo Arendt, vivia nas praças públicas (ágora) da polis, debatendo e discutindo com os cidadãos sobre os conceitos filosóficos. Contudo, ele não tentava impor ou apresentar uma ideologia, mas sim, fazer os indivíduos encontrarem e construírem suas próprias ideologias e conclusões. E esse seria o modelo ideal de debate e expansão de conhecimento, e que faria os seres evoluírem. Todavia, partindo desse princípio e lembrando que Sócrates foi condenado a morte por um júri popular por algo considerado banal, pode-se entender que essa linha de raciocínio livre da imposição de uma conclusão pronta, transforma o homem em um ser pensante e crítico perante a sociedade e aos fatos, e principalmente perante ao sistema.
     Dessa maneira, fazer do homem um ser pensante e  questionador afeta a persuasão e o controle que o sistema social (político, religioso, relacional, intelectual, cultural, etc.) tem sobre o mesmo, já que é o próprio sistema que dita o que pode ou não pode ser dito, feito ou até mesmo pensado.
     Ainda, além de afetar esse controle que o sistema tem, essa construção e transformação do homem pode ser considerada dolorida em certos casos, visto que a formação de um pensamento individual necessita de uma quebra dos conceitos sócio-culturais apresentados como verdade desde que nascemos.
     Mesmo assim, a construção de uma opinião original faz do homem um ser muito mais compreensivo e crítico, que pensa e questiona, e não um ser que apenas age de acordo com os estímulos e as ordens. E é nisso que estamos nos tornando, feixes de reação, como os cães de Pavlov: seres incompreensíveis e intolerantes, que apenas seguem personalidades que decidem por nós o que vamos ser ou em que vamos acreditar.
     Então, diante de todos os benefícios e mesmo diante dos 'malefícios' que esse modelo de deliberação tem nos homens e na sociedade, o porquê da dificuldade de compreensão e respeito é algo que deve ser investigado e discutido a fim de modificar a maneira de absorver, estudar e dialogar sobre os tantos tópicos que nos são apresentados.

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