29 de novembro de 2015

E 'solo un nuovo inizio

     A mudança e o amadurecimento são inevitáveis. O tempo passa e as coisas mudam, diante das mudanças, amadurecemos. Crescemos. Evoluímos. Nos desenvolvemos. Algumas mudanças são fáceis, outras nem tanto. No começo desse ano enfrentei uma mudança inesquecível, precisei mudar de colégio e minha opção menos pior (a princípio) foi o colégio Sesi. No começo, não fazia ideia de quão bom seria essa mudança. Quando me mudei não conhecia ninguém, apenas um ou dois colegas, pessoas que conhecia apenas de vista e alguns professores. Fora isso, estava completamente perdida naquela metodologia estranha, tudo era diferente. E aquele pessoal era louco. O prédio no começo do ano era minúsculo, várias pessoas por metro quadrado, eu mal conseguia me mover. E mais uma vez, aquele povo era louco. Sério. Nunca vi gente mais louca, sem noção, maluca, na minha vida. E sem brincadeira, era assustador. Mas aos poucos fui me acostumando, entrando na rotina, participando dos projetos. E confesso, acho que fiquei louca também. Mas gostei. Foi a melhor experiência da minha vida: conheci pessoas que nunca vou esquecer, pessoas com as quais nunca vou deixar de conversar e conviver, fiz amizades incríveis, não só com os alunos, aliás, uma das melhores coisas do Sesi é a amizade entre professor e estudante. Aprendi a trabalhar em equipe, aprendi a aceitar desafios, aprendi a ser melhor, a me superar, e acima de tudo, aprendi a pensar e questionar as coisas de maneira crítica, abri minha mente a assuntos que ainda não havia pensado em me posicionar. Aprendi a tomar decisões e a ser mais responsável, aprendi a agir como líder e também aprendi como é difícil, mas muito bom trabalhar em equipe. Aprendi tanto. E o ano está acabando. Festas, comida, presentes, férias (ah, as férias!), descanso, mais comida. E um pouco mais de mudanças.
     Nesse final de ano, descobri que vou mudar mais uma vez. E foi uma das notícias mais tristes que recebi, nunca pensei em deixar o Sesi, meus amigos e muito menos essa cidade na qual vive por 12 anos. Toda minha vida está aqui. E terei que deixá-la. Mudar mais uma vez. Mais um desafio, mais um amadurecimento. Não pretendo me prolongar nesse desabafo, a única coisa que precisa saber é que vou me mudar. E rezo para não perder tudo o que conquistei nessa cidade que amo. Todos os amigos que fiz e tudo o que aprendi.
     Mesmo assim, acho que tudo pelo que passei esse último ano, tudo o que aprendi, tudo o que fiz e tudo o que superei me mudaram. A primeira mudança de fato ocorreu em mim. Como eu disse, me tornei louca também. E essa loucura vai me acompanhar onde eu for. Isso eu sei, vou deixar o Sesi e essa cidade (talvez por pouco tempo) mas o Sesi não vai sair de mim. E onde eu for vou carregar comigo todo o aprendizado e todas as transformações que me acompanharam. Vou carregar comigo o Sesi que sou. Porque uma vez Sesi, sempre Sesi.
     Para finalizar, pois acho que já falei demais, quero agradecer a todos que me acompanharam durante esse ano, todos os professores e todos os colegas e amigos. Agradeço ao Sesi pelos momentos que me proporcionou. Agradeço a todos. E espero voltar, espero continuar a caminhada que comecei aqui. E é isso. Um novo ano se inicia em alguns meses, um novo ciclo que eu pretendo finalizar como finalizei esse, com chave de ouro e muita história pra contar, rodeada de pessoas maravilhosas e queridas. Um beijo a todos. E esse ainda não é o fim. Nos veremos em breve.

14 de novembro de 2015

Morte, terrorista

   Sou amante de rock e metal. E não apenas amante, escrevo sobre minha paixão, sou jornalista e escrevo sobre o que amo: música. Sempre que tem algum concerto em Paris ou na região procuro ir e assim escrevo sobre os eventos e sobre as bandas que se apresentam. Sendo assim, nessa sexta deixei minhas duas filhas lindas em casa para assistir ao show da banda Eagles of Death Metal, no Bataclan. Podia ter levado minhas meninas, assim como meus pais faziam comigo, me levavam para ver os shows que tinham na cidade e foi assim que eu passei a ser fã de Metallica, de Iron Maiden e dos Eagles também. Talvez assim eu pudesse ensinar minhas princesas a serem como o papai, elas tão fofas, mas seria bom poder compartilhar meus gostos com elas, extensões de mim. Meu sonho era levá-las comigo para um grande show, fazê-las felizes, vê-las sorrir e cantar comigo. Mas é um sonho que não vai se realizar. É um sonho que foi tirado de mim. Me roubaram a vida. 
   Alguns homens decidiram que seria melhor assassinar 129 vidas inocentes daquele restaurante, incluindo a minha e de amigos meus em prol de uma causa, de uma guerra. Ainda não entendi direito o porquê. Parece-me que eles não estavam satisfeitos com algo. Mas e de quem é a culpa? Deus, será? Que 'deixou a maldade influenciar o homem'? Ou dos americanos e europeus que decidiram que seria melhor matar o líder daqueles homens, que por sinal também matou dezenas de almas inocentes? De quem é a culpa? Ou a culpa é dos terroristas que invadiram o show e decidiram nos matar? Eu sou o culpado será? Ou melhor, existe culpado, ou isso é apenas uma consequência? E agora? E agora que eu me fui, como vai ser a vida de minhas filhas? E minha mulher? Meus amigos? Parentes? Algo vai mudar com minha morte, ou com a morte de algum dos inocentes que foram lá apenas para ouvir um bom rock e para se divertir um pouco?
   Na verdade, dentre todas essas perguntas sem resposta, a que não quer calar, a pergunta mais intrigante e que mais me revolta é 'Quantas mortes ainda serão necessárias para que essa guerra acabe? Quantas famílias ainda vão ficar sem pai, sem mãe, quantos filhos ainda serão perdidos, quantos amigos que se irão, quantas almas ainda serão veladas para que o Mundo entenda e aprenda a se respeitar, para que as pessoas aprendam a ser solidárias e que deixem de ser tão intolerantes? Quantas mortes mais teremos que chorar? Será que pedir que isso acabe, que as pessoas tenham consciência das vidas que estão se esvaindo a cada dia por coisas tão banais, é demais? Pedir o direito a vida, é demais? Me digam, é pedir demais? O que ainda é necessário para que essa situação mude?

Baseado em uma história real, em uma pessoa real, com sonhos reais. Crônica sobre uma morte terrorista. Em memória de um fã de rock que morreu nessa última sexta-feira (13) e dos outros 128 fãs que foram assassinados em favor de uma causa, em nome de um 'deus', em nome de uma religião.

11 de novembro de 2015

Tese

     Atualmente a sociedade brasileira, como podemos perceber, está cada vez mais envolvida com os problemas sociais e polêmicos, como o casamento de casais homoafetivos. Esses estão sendo debatidos nas salas de aula, nas redes sociais ou em programas de televisão. No meio em que vivo não é diferente, tudo é colocado em pauta a todo o momento, e isso é infinitamente bom, já que abre a mente das pessoas e as faz pensarem sobre assuntos considerados tabus.
     Porém, nos últimos tempos cheguei a uma opinião menos específica do que uma posição sobre um dos tópicos citados. Cheguei à conclusão de que as pessoas têm imensa dificuldade de aceitar e administrar o que é diferente, o que não se encaixa nelas mesmas. E, me atrevo a dizer, que é daí que surge o preconceito e a discriminação.
     O debate e a discussão sobre assuntos divergentes é ótimo e imprescindível para a compreensão da civilização e do ser humano em si, de como ele pensa e de como ele se transforma e lida com as transformações. Entretanto, faz com que opiniões diferentes ou até mesmo contrárias sejam estabelecidas. Não há nenhum mal nisso, mas partindo desse ponto, o que se vê é uma intolerância e uma discriminação gritantes, de ambos os lados e em qualquer caso.
     Isso pode ser explicado pelo fato de que com a evolução das civilizações, o homem se tornou egocêntrico e individualista, e assim, incapaz de ao menos ouvir e absorver opiniões alheias ou contrárias. Assim, o homem é intolerante e não respeita o que é exterior e diferente dele e do que ele concorda.
     Nesse viés, Sócrates é um exemplo que pode ser analisado de como devemos agir diante das divergências: ele, filósofo da pluralidade por excelência segundo Arendt, vivia nas praças públicas (ágora) da polis, debatendo e discutindo com os cidadãos sobre os conceitos filosóficos. Contudo, ele não tentava impor ou apresentar uma ideologia, mas sim, fazer os indivíduos encontrarem e construírem suas próprias ideologias e conclusões. E esse seria o modelo ideal de debate e expansão de conhecimento, e que faria os seres evoluírem. Todavia, partindo desse princípio e lembrando que Sócrates foi condenado a morte por um júri popular por algo considerado banal, pode-se entender que essa linha de raciocínio livre da imposição de uma conclusão pronta, transforma o homem em um ser pensante e crítico perante a sociedade e aos fatos, e principalmente perante ao sistema.
     Dessa maneira, fazer do homem um ser pensante e  questionador afeta a persuasão e o controle que o sistema social (político, religioso, relacional, intelectual, cultural, etc.) tem sobre o mesmo, já que é o próprio sistema que dita o que pode ou não pode ser dito, feito ou até mesmo pensado.
     Ainda, além de afetar esse controle que o sistema tem, essa construção e transformação do homem pode ser considerada dolorida em certos casos, visto que a formação de um pensamento individual necessita de uma quebra dos conceitos sócio-culturais apresentados como verdade desde que nascemos.
     Mesmo assim, a construção de uma opinião original faz do homem um ser muito mais compreensivo e crítico, que pensa e questiona, e não um ser que apenas age de acordo com os estímulos e as ordens. E é nisso que estamos nos tornando, feixes de reação, como os cães de Pavlov: seres incompreensíveis e intolerantes, que apenas seguem personalidades que decidem por nós o que vamos ser ou em que vamos acreditar.
     Então, diante de todos os benefícios e mesmo diante dos 'malefícios' que esse modelo de deliberação tem nos homens e na sociedade, o porquê da dificuldade de compreensão e respeito é algo que deve ser investigado e discutido a fim de modificar a maneira de absorver, estudar e dialogar sobre os tantos tópicos que nos são apresentados.