30 de maio de 2016

Aggiornamenti

     Nesses últimos tempos é cada vez mais difícil manter uma discussão civilizada acerca dos assuntos mais variados. Seja sobre religião, sobre política, sobre cultura, até mesmo sobre acontecimentos aleatórios. O que se vê e o que se cultiva é um ódio a todas as ideias contrárias as que defendo e uma idolatria cega ao que creio ser correto. Sendo assim, meu objetivo é convencer o outro - que tem posicionamentos contrários aos meus - de que eu é que estou certa e de que a minha ideia é a única plausível, aceitável e que deve ser seguida e respeitada. Em uma discussão a perspectiva do outro, desde que contrária a minha, não me interessa.
     É dessa maneira que muitos se colocam em debates em geral, seja no Palácio do Planalto, seja na mesa do almoço ou na sala de aula. Percebe-se uma intolerância cega e irritante, ao ponto de um nem sequer deixar o outro terminar uma frase e se expressar de maneira satisfatória. Todos querem ser ouvidos e aceitos e ninguém quer ouvir nem aceitar o que o outro tem a dizer. Sendo assim, temos discussões infindáveis, que circulam entre xingamentos e ameaças, e não se entra em nenhum acordo pois existem dois extremos tentando convencer o outro a mudar de lado.
     Nesses casos, penso que nenhum dos dois lados está correto e que ambos deveriam ceder em alguns pontos a fim de encontrarem um quesito que agrade ambas as partes. Mas quem é que vai ceder primeiro? Ninguém quer "perder" a discussão, a razão ou a palavra. Acontece que no fim ninguém sai satisfeito e todos saem difamados, estressados e chateados.
     Não estou dizendo que essa minha reflexão está totalmente correta, nem estou defendendo cegamente uma tese. Estou apenas refletindo sobre esses discursos radicalistas que tanto se ouve por aí e que não são capazes de entrarem em um acordo com os que tem pontos de vista diferentes. Defendo apenas minha ideia de que se houvesse um "meio termo", um ponto de encontro entre os extremos, haveria um equilíbrio e uma harmonia saudável entre eles e assim chegaríamos a uma decisão mais facilmente, sem beneficiar ou desfavorecer nenhum dos lados.
     Mas se você que está aqui lendo, pensa de outra maneira ou tem outra concepção acerca de tudo isso, agradeceria se viesse me contar seu ponto de vista, para que pudéssemos juntos estabelecer um ponto de encontro. E é dessa forma que se começa a mudar a maneira de debater os conceitos de hoje e a chegar em um ponto de equilíbrio. Pois se refletirmos sobre a música O Sol e a Peneira do grupo de música Teatro Mágico que diz "onde sobra intolerância, falta inteligência", estamos sendo bem burros ultimamente.

     PS.: Aliás, a música citada é muito boa e faz duras e construtivas críticas. Recomendo. O link para o clipe da música disponível no YouTube está no próprio nome da música no texto.

14 de março de 2016

Crítica a Cultura Contemporânea

     A cultura em si é o conjunto de símbolos produzidos a partir da linguagem humana, como o próprio idioma, as imagens, as músicas, a arquitetura, as produções literárias, o cinema, a arte em si. Dessa forma ela reflete a identidade da sociedade, pois expressa a condição em que ela se encontra e como ela se organiza e se relaciona com os indivíduos e com a natureza. Nesse viés, ela se torna um elemento de análise e estudo social, uma ferramenta de conhecimento, que expressa sabedoria e provoca a crítica e o questionamento.
     Com o avanço da tecnologia e da mídia, a industrialização e a consolidação do capitalismo moderno e consequentemente a busca desenfreada por lucros, um elemento importante começou a tomar conta da cultura: a Indústria Cultural.
     A arte passou a ser industrializada e produzida em massa visando lucros. Então, os elementos constituintes da mesma, como a provocação ao questionamento, a expressão de sentimentos e da sabedoria, ficaram obsoletos e se dissiparam.
     A arte se tornou uma mercadoria. Logo a música, os livros, os filmes passaram a ter um preço e uma data de validade. Nesse sentido é possível perceber que antigamente quando a música ainda não era apenas mais uma mercadoria, e tinha características críticas e de intelectualidade, os cantores e bandas tinham longas e prósperas carreiras, deixavam legados e eram homenageados através dos tributos, como acontece até hoje com bandas como Legião Urbana e cantores como Cazuza que frequentemente são lembrados e suas obras continuam sendo ouvidas, analisadas e ainda constituem parte da cultura brasileira.
     O mesmo acontece com os livros que ao se classificarem em best-sellers (mais vendidos, ou seja, mercadorias) os leitores apenas procuram as obras que "todos estão lendo, comprando e comentando" e os autores que tem a maior quantidade de best-sellers publicados, ao invés de procurarem ler um livro apenas em nome da cultura e da intelectualidade. Logo, os livros mais lidos são romances clichês que apresentam apenas uma reestruturação de uma história que eu já conheço ou de algum livro que eu já li - mudam-se apenas os personagens e pequenas porções do enredo.
     Nessa perspectiva, observa-se que na atualidade a arte como mercadoria não tem durabilidade, é facilmente esquecida e é descartável. Daí os livros e filmes que são lançados e que dentro de pouco tempo se tornam "antigos" (exemplo disso é a Saga Crepúsculo, da qual não se tem mais notícia) e as dezenas e dezenas de duplas e de cantores sertanejos que vem, fazem sucesso e são esquecidos. Músicas que eram sucesso há três ou quatro anos, não são mais lembradas. Tornam-se facilmente obsoletas, ultrapassadas, velhas, assim como a tecnologia, por exemplo – enquanto antigamente depois de um tempo filmes, musicas e livros se tornavam clássicos e eram celebrados.
     Dessa maneira a arte que era uma identidade de uma sociedade, singular e particular a ela, passa a ser padronizada - as vezes no mundo todo. E ainda no viés do sertanejo universitário, estilo de música predominante no Brasil, é possível perceber a forte padronização dos artistas e das próprias músicas. Gusttavo Lima, Lucas Lucco, Luan Santana, Michel Teló; João Bosco e Vinicius, Jorge e Mateus, Munhoz e Mariano, e a lista segue imensa. Em músicas como "Tchê tchererê tchê tchê", "Bará bará bará, Berê berê berê", "Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha", percebe-se o padrão e a falta de intelectualidade - note que tais músicas, lançadas em 2011/12 já são obsoletas e não tocam mais nas rádios.
     Assim, as artes como mercadorias, são manipuladas e padronizadas ao interesse do capital. Como mercadorias, são “oferecidas” – inconscientemente impostas – pela mídia. Como mercadorias, não inovam (como inovaram na Semana de Arte Moderna por exemplo) e são apenas uma reprodução diferente do que já existe - não são totalmente originais. Como mercadoria deixa de ser arte e cultura e passa a ser consumida e a ser apenas um meio de entretenimento, que não é durável, que não aguça o pensamento, que não acrescenta à inteligência e não passa sabedoria e conhecimento, como costumava fazer.
     E nós compramos a nossa cultura. E somos mais uma vez alienados. Sem perceber. Ficamos cada vez mais estúpidos, menos críticos, mais intolerantes, menos questionadores, mais conformados e resignados.
     E assim deixo aqui o convite a reflexão sobre a “cultura” que temos, as músicas que gostamos, os filmes que assistimos e os livros que lemos (e também os que já esquecemos), e de como a mídia e os meios de comunicação influenciam e produzem tudo isso excluindo deles o senso crítico e essencialmente humano e expressivo que costumavam ter antes de serem apenas produtos industrializados.

1 de março de 2016

F.R.I.E.N.D.S.


     Grandes amizades nascem de pequenas coisas. Um bom dia, um abraço, uma simpatia, uma afinidade, ou até mesmo uma música. Grandes amizades não nascem do nada. Requerem atenção, paciência e ousadia. Grandes amizades nascem de um conselho, uma ajuda, um apoio, ou até um segredo. Grandes amizades nos modificam, nos ensinam e nos satisfazem. Algumas amizades nascem crescem e morrem (essas são as mais tristes), outras, morrem, crescem e por fim nascem (são as mais verdadeiras). É terrível quando um amigo se torna inimigo. É mágico quando um inimigo se torna amigo. Algumas amizades duram uma vida, outras, o colegial ou o verão. Algumas amizades viram casamento, outras viram festa. Alguns amigos são irmãos, e alguns irmãos são amigos. Algumas amizades são família, outras, "encontros familiares" (entediantes). Quando somos crianças, basta dizer oi a alguém para fazermos amigos. Por que ao crescermos isso muitas vezes muda? Algumas amizades são tão simples. E essas são as melhores.Tenho amigos espalhados por aí. Amigos e amizades de todos os tipos. Não me esqueço de nenhuma delas e sinto muita falta das que estão longe. Mas a vida é um contínuo ciclo. Amizades e amigos vêm e vão. Só quando os ciclos se completam é que conhecemos os que realmente nos somaram. Tive a graça de ter muitas amizades que somaram e continuam somando. Só peço a graça de guardar meus amigos, como Milton Nascimento cantou. Até a Bíblia diz que amigos são tesouros. Sendo assim, sou muito afortunada. Alguns ciclos se fecharam nos últimos tempos. Alguns amigos ficaram para trás, mas "qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar"(MN).
     Dedico essa primeira postagem de 2016 aos meus tesouros, "irmãos", "familiares", psicólogos, ursos, amores e por aí vai.

29 de novembro de 2015

E 'solo un nuovo inizio

     A mudança e o amadurecimento são inevitáveis. O tempo passa e as coisas mudam, diante das mudanças, amadurecemos. Crescemos. Evoluímos. Nos desenvolvemos. Algumas mudanças são fáceis, outras nem tanto. No começo desse ano enfrentei uma mudança inesquecível, precisei mudar de colégio e minha opção menos pior (a princípio) foi o colégio Sesi. No começo, não fazia ideia de quão bom seria essa mudança. Quando me mudei não conhecia ninguém, apenas um ou dois colegas, pessoas que conhecia apenas de vista e alguns professores. Fora isso, estava completamente perdida naquela metodologia estranha, tudo era diferente. E aquele pessoal era louco. O prédio no começo do ano era minúsculo, várias pessoas por metro quadrado, eu mal conseguia me mover. E mais uma vez, aquele povo era louco. Sério. Nunca vi gente mais louca, sem noção, maluca, na minha vida. E sem brincadeira, era assustador. Mas aos poucos fui me acostumando, entrando na rotina, participando dos projetos. E confesso, acho que fiquei louca também. Mas gostei. Foi a melhor experiência da minha vida: conheci pessoas que nunca vou esquecer, pessoas com as quais nunca vou deixar de conversar e conviver, fiz amizades incríveis, não só com os alunos, aliás, uma das melhores coisas do Sesi é a amizade entre professor e estudante. Aprendi a trabalhar em equipe, aprendi a aceitar desafios, aprendi a ser melhor, a me superar, e acima de tudo, aprendi a pensar e questionar as coisas de maneira crítica, abri minha mente a assuntos que ainda não havia pensado em me posicionar. Aprendi a tomar decisões e a ser mais responsável, aprendi a agir como líder e também aprendi como é difícil, mas muito bom trabalhar em equipe. Aprendi tanto. E o ano está acabando. Festas, comida, presentes, férias (ah, as férias!), descanso, mais comida. E um pouco mais de mudanças.
     Nesse final de ano, descobri que vou mudar mais uma vez. E foi uma das notícias mais tristes que recebi, nunca pensei em deixar o Sesi, meus amigos e muito menos essa cidade na qual vive por 12 anos. Toda minha vida está aqui. E terei que deixá-la. Mudar mais uma vez. Mais um desafio, mais um amadurecimento. Não pretendo me prolongar nesse desabafo, a única coisa que precisa saber é que vou me mudar. E rezo para não perder tudo o que conquistei nessa cidade que amo. Todos os amigos que fiz e tudo o que aprendi.
     Mesmo assim, acho que tudo pelo que passei esse último ano, tudo o que aprendi, tudo o que fiz e tudo o que superei me mudaram. A primeira mudança de fato ocorreu em mim. Como eu disse, me tornei louca também. E essa loucura vai me acompanhar onde eu for. Isso eu sei, vou deixar o Sesi e essa cidade (talvez por pouco tempo) mas o Sesi não vai sair de mim. E onde eu for vou carregar comigo todo o aprendizado e todas as transformações que me acompanharam. Vou carregar comigo o Sesi que sou. Porque uma vez Sesi, sempre Sesi.
     Para finalizar, pois acho que já falei demais, quero agradecer a todos que me acompanharam durante esse ano, todos os professores e todos os colegas e amigos. Agradeço ao Sesi pelos momentos que me proporcionou. Agradeço a todos. E espero voltar, espero continuar a caminhada que comecei aqui. E é isso. Um novo ano se inicia em alguns meses, um novo ciclo que eu pretendo finalizar como finalizei esse, com chave de ouro e muita história pra contar, rodeada de pessoas maravilhosas e queridas. Um beijo a todos. E esse ainda não é o fim. Nos veremos em breve.

14 de novembro de 2015

Morte, terrorista

   Sou amante de rock e metal. E não apenas amante, escrevo sobre minha paixão, sou jornalista e escrevo sobre o que amo: música. Sempre que tem algum concerto em Paris ou na região procuro ir e assim escrevo sobre os eventos e sobre as bandas que se apresentam. Sendo assim, nessa sexta deixei minhas duas filhas lindas em casa para assistir ao show da banda Eagles of Death Metal, no Bataclan. Podia ter levado minhas meninas, assim como meus pais faziam comigo, me levavam para ver os shows que tinham na cidade e foi assim que eu passei a ser fã de Metallica, de Iron Maiden e dos Eagles também. Talvez assim eu pudesse ensinar minhas princesas a serem como o papai, elas tão fofas, mas seria bom poder compartilhar meus gostos com elas, extensões de mim. Meu sonho era levá-las comigo para um grande show, fazê-las felizes, vê-las sorrir e cantar comigo. Mas é um sonho que não vai se realizar. É um sonho que foi tirado de mim. Me roubaram a vida. 
   Alguns homens decidiram que seria melhor assassinar 129 vidas inocentes daquele restaurante, incluindo a minha e de amigos meus em prol de uma causa, de uma guerra. Ainda não entendi direito o porquê. Parece-me que eles não estavam satisfeitos com algo. Mas e de quem é a culpa? Deus, será? Que 'deixou a maldade influenciar o homem'? Ou dos americanos e europeus que decidiram que seria melhor matar o líder daqueles homens, que por sinal também matou dezenas de almas inocentes? De quem é a culpa? Ou a culpa é dos terroristas que invadiram o show e decidiram nos matar? Eu sou o culpado será? Ou melhor, existe culpado, ou isso é apenas uma consequência? E agora? E agora que eu me fui, como vai ser a vida de minhas filhas? E minha mulher? Meus amigos? Parentes? Algo vai mudar com minha morte, ou com a morte de algum dos inocentes que foram lá apenas para ouvir um bom rock e para se divertir um pouco?
   Na verdade, dentre todas essas perguntas sem resposta, a que não quer calar, a pergunta mais intrigante e que mais me revolta é 'Quantas mortes ainda serão necessárias para que essa guerra acabe? Quantas famílias ainda vão ficar sem pai, sem mãe, quantos filhos ainda serão perdidos, quantos amigos que se irão, quantas almas ainda serão veladas para que o Mundo entenda e aprenda a se respeitar, para que as pessoas aprendam a ser solidárias e que deixem de ser tão intolerantes? Quantas mortes mais teremos que chorar? Será que pedir que isso acabe, que as pessoas tenham consciência das vidas que estão se esvaindo a cada dia por coisas tão banais, é demais? Pedir o direito a vida, é demais? Me digam, é pedir demais? O que ainda é necessário para que essa situação mude?

Baseado em uma história real, em uma pessoa real, com sonhos reais. Crônica sobre uma morte terrorista. Em memória de um fã de rock que morreu nessa última sexta-feira (13) e dos outros 128 fãs que foram assassinados em favor de uma causa, em nome de um 'deus', em nome de uma religião.

11 de novembro de 2015

Tese

     Atualmente a sociedade brasileira, como podemos perceber, está cada vez mais envolvida com os problemas sociais e polêmicos, como o casamento de casais homoafetivos. Esses estão sendo debatidos nas salas de aula, nas redes sociais ou em programas de televisão. No meio em que vivo não é diferente, tudo é colocado em pauta a todo o momento, e isso é infinitamente bom, já que abre a mente das pessoas e as faz pensarem sobre assuntos considerados tabus.
     Porém, nos últimos tempos cheguei a uma opinião menos específica do que uma posição sobre um dos tópicos citados. Cheguei à conclusão de que as pessoas têm imensa dificuldade de aceitar e administrar o que é diferente, o que não se encaixa nelas mesmas. E, me atrevo a dizer, que é daí que surge o preconceito e a discriminação.
     O debate e a discussão sobre assuntos divergentes é ótimo e imprescindível para a compreensão da civilização e do ser humano em si, de como ele pensa e de como ele se transforma e lida com as transformações. Entretanto, faz com que opiniões diferentes ou até mesmo contrárias sejam estabelecidas. Não há nenhum mal nisso, mas partindo desse ponto, o que se vê é uma intolerância e uma discriminação gritantes, de ambos os lados e em qualquer caso.
     Isso pode ser explicado pelo fato de que com a evolução das civilizações, o homem se tornou egocêntrico e individualista, e assim, incapaz de ao menos ouvir e absorver opiniões alheias ou contrárias. Assim, o homem é intolerante e não respeita o que é exterior e diferente dele e do que ele concorda.
     Nesse viés, Sócrates é um exemplo que pode ser analisado de como devemos agir diante das divergências: ele, filósofo da pluralidade por excelência segundo Arendt, vivia nas praças públicas (ágora) da polis, debatendo e discutindo com os cidadãos sobre os conceitos filosóficos. Contudo, ele não tentava impor ou apresentar uma ideologia, mas sim, fazer os indivíduos encontrarem e construírem suas próprias ideologias e conclusões. E esse seria o modelo ideal de debate e expansão de conhecimento, e que faria os seres evoluírem. Todavia, partindo desse princípio e lembrando que Sócrates foi condenado a morte por um júri popular por algo considerado banal, pode-se entender que essa linha de raciocínio livre da imposição de uma conclusão pronta, transforma o homem em um ser pensante e crítico perante a sociedade e aos fatos, e principalmente perante ao sistema.
     Dessa maneira, fazer do homem um ser pensante e  questionador afeta a persuasão e o controle que o sistema social (político, religioso, relacional, intelectual, cultural, etc.) tem sobre o mesmo, já que é o próprio sistema que dita o que pode ou não pode ser dito, feito ou até mesmo pensado.
     Ainda, além de afetar esse controle que o sistema tem, essa construção e transformação do homem pode ser considerada dolorida em certos casos, visto que a formação de um pensamento individual necessita de uma quebra dos conceitos sócio-culturais apresentados como verdade desde que nascemos.
     Mesmo assim, a construção de uma opinião original faz do homem um ser muito mais compreensivo e crítico, que pensa e questiona, e não um ser que apenas age de acordo com os estímulos e as ordens. E é nisso que estamos nos tornando, feixes de reação, como os cães de Pavlov: seres incompreensíveis e intolerantes, que apenas seguem personalidades que decidem por nós o que vamos ser ou em que vamos acreditar.
     Então, diante de todos os benefícios e mesmo diante dos 'malefícios' que esse modelo de deliberação tem nos homens e na sociedade, o porquê da dificuldade de compreensão e respeito é algo que deve ser investigado e discutido a fim de modificar a maneira de absorver, estudar e dialogar sobre os tantos tópicos que nos são apresentados.

26 de setembro de 2015

Soddisfazione

    Os desafios que enfrentamos na vida são quase incalculáveis, a cada dia uma nova proposta, um novo problema para resolver, uma nova incógnita para encontrar, uma nova dificuldade para encarar.
     Recentemente, os desafios que tenho enfrentado acabaram se acumulando e quase me deixaram louca. Nesse momento, Sesi se confunde com Senai, sentimentos atrapalham o raciocínio e o tempo não ajuda, ou a falta dele, as matérias se confundem, esquecem-se as provas e trabalhos, se perde o sono, e o problema fica cada vez maior, exatamente como a cratera do Poliesportivo de Umuarama em dias de chuva. Então, é preciso respirar fundo, definir prioridades, e começar a organizar tudo, fazer uma coisa de cada vez, uma boa conversa com um amigo ajuda também. E essa reorganização deu resultado, está dando resultado na verdade. Nessa última semana vi minha equipe inteira ficar com nota máxima numa das mais difíceis apresentações do bimestre, além das boas notas nas provas.      Vi minha equipe se comprometer e melhorar a cada dia e isso trouxe uma satisfação muito grande, um orgulho indescritível e essa é a recompensa de não desistir e se manter firme, paciente e calmo. Mas mesmo assim, como disse, os desafios são muitos e nessa segunda e terça-feira temos simulado do ENEM (não é um monstro de sete cabeças, talvez umas três ou quatro apenas, ou seja, não é impossível, mas da trabalho). Bimestre passado consegui o inacreditável primeiro lugar e o que se espera de mim agora é que eu mantenha minha posição, o que torna o desafio mais desafiador ainda.      Mas não se pode desistir, pois pode ser que a recompensa seja mais uma vez a tal satisfação.

11 de agosto de 2015

Chi sono?

     Quem sou eu? Aquela pergunta básica e que muitos não conseguem responder e outros tantos sequer entendem. E de praxe, meu professor de filosofia pediu para que respondêssemos essa pergunta, cá estou eu pra tentar explicar quem eu sou. Bom, sou a Nathascha. Nascida em 1999. Amante das palavras, tanto da língua portuguesa, quanto a inglesa, a italiana, e por aí vai. Admiradora dos livros e escritores que tocam almas e mudam vidas. Frenética ouvinte de músicas que produzem esse mesmo efeito: tocar a alma. Aliás, busco essa mesma qualidade nas pessoas, nas coisas, nos momentos, em tudo. Tento fazer o mesmo, nem sempre funciona, mas tento. Costumo ser prestativa e presente. Uma das minhas maiores alegrias está em ajudar e ver as pessoas bem e felizes. Ah, sou católica, mas esse é um assunto para outra hora. No geral essa sou eu. As demais características, são só características e não definem quem eu sou. Mas mesmo com essas definições, custo encontrar uma profissão que me satisfaça e com certa frequência mudo de opinião e opção.
     Sempre dizem que as crianças definem a uma profissão que gostariam de exercer logo cedo, claro que muitas delas são um pouco mirabolantes, como o sonho de ser astronauta, cantor, artista, jogador de futebol, meu irmão até quis ser fazendeiro. Minha mãe costuma me contar que desde pequena eu queria ser professora (meu irmão era quem mais sofria com isso, pois sempre tinha que assistir as minhas aulas), e de repente me vi cogitando sinceramente essa ideia. Sempre admirei meus professores, até hoje gosto muito deles (uns mais, uns menos, é verdade) e não pude deixar de imaginar-me em seus lugares, lutando por uma educação de qualidade e por cidadãos mais conscientes. E, seguindo essa linha de raciocínio, e pensando no meu gosto por palavras, cheguei a conclusão de que gostaria de cursar a faculdade de Letras e quem sabe me tornar professora de línguas.
     Ainda não tenho certeza de muita coisa, é preciso amadurecer a ideia, mas acredito que seja esse o caminho para essa decisão tão importante para minha vida. No último bimestre participamos de um programa no colégio que me ajudou a encontrar esse caminho, mostrando a importância do auto conhecimento para sabermos o que realmente queremos, quais são nossas qualidades, defeitos e por aí vai e espero que assim chegue a uma decisão final. Por isso agradeço ao professor que abraçou essa causa de nos instruir. Por fim, são essas minhas considerações, e um pouco do que sou e do que sonho. Espero ter respondido sua pergunta Caio ^^

8 de agosto de 2015

Il ritorno di coloro che non erano

     As férias - feliz ou infelizmente - acabaram. O bom de estudar no colégio que eu estudo é que a cada bimestre tudo muda, as salas, as oficinas, os colegas de sala, os colegas de equipe, os horários - excepcionalmente, até o prédio -, e por ai vai. E eu creio que é nesse ponto que o Sesi me ganha. Não suporto rotina. Enfim, meu questionamento dessa vez é, "já que a rotina mudou, porque não mudar a mim mesma?" Mudar as atitudes, as opiniões, as decisões, o comportamento, aprimorar o que somos.
     O fato é que vivemos num mundo perturbado pela comodidade: é tão mais cômodo permanecer o mesmo, sem desafios, sem novidades, sem movimento, e na realidade, sem vida. Estamos tão acostumados com nossa zona de conforto, com a nossa realidade, seja ela qual for, que deixamos de vivenciar a vida, de participar dela, de pôr-se a disposição do universo. Deixamos como está, e não queremos fazer nada para mudar, pode até ser que queremos e desejamos a mudança, mas queremos que ela ocorra sem o nosso esforço. Um gritante exemplo dessa infeliz situação é a assustadora crise.      É, eu sei, ouvimos falar tanto sobre ela que já se tornou banal, e é esse o grande erro. A crise é fruto do comodismo dos brasileiros, somos nós os culpados, nós que diante das autoridades cheias de promessas, escândalos e por fim, mentiras, deixamos que o comodismo tomasse conta da sociedade e a tão aclamada "geração coca-cola" embriagou-se e tornou-se submissa, ignorante e cômoda, entregando seu suado dinheiro e o que restou da sua "incansável" dignidade aos luxos de políticos corruptos e gananciosos. E esses por fim transformaram o governo brasileiro num legítimo exemplo da cultura do "pão e circo". Só que esse "pão e circo" tornou-se apenas "circo" dentro do planalto, já que agora que o pão está caro, e é escasso em muitos lares brasileiros. E há quem diga o contrário, há quem creia que as coisas vão se ajeitar sem nenhuma mudança da nossa parte. Há quem ainda acredite nos mesmos políticos que estão "fudendo" com o Brasil - desculpas pelo termo, mas há definição melhor? Mas será que não é tempo de tomar uma atitude, de mudar, de "andar pra frente", de voltarmos a ser a geração coca-cola do nosso querido Renato Russo? Porque, sinceramente, que país é esse?
     Por fim deixo aqui minha humilde reflexão, e minha proposta, a qual não traria mudanças apenas para o nosso querido e sofrido Brasil, mas também para a tua própria vida: tente algo novo, saia da tua zona de conforto, da tua comodidade, viva e promova a mudança!

PS: Abraços a você que teve a coragem de ler até o fim <3

23 de junho de 2015

Esaurimento

     Com certa frequência passamos por aqueles momentos exaustivos, em que parece que o "disco rígido está cheio", aqueles momentos em que pedimos uma pausa, um arrego, um tempo pra descansar, umas férias. E é esse o meu momento nesses últimos dias do bimestre. Agora vem as últimas avaliações, as recuperações, os últimos trabalhos e apresentações, as considerações finais antes das férias. Todos exaustos, e a correria não para. O tempo é curto pra tanta coisa, de repente, 24 horas num dia já não suprem a nossa necessidade, já não é suficiente para cumprir todos os prazos, para comparecer aos compromissos e ainda descansar. Então pensamos que 30 horas talvez, seria a solução, mas aí me vem a questão: mal conseguimos organizar 24, imagina 30 horas? O que ocorre, não é a falta de tempo, mas o fato de querermos fazer tudo sem organização, e então nos comprometemos com infinitas coisas, as quais não conseguimos cumprir por não termos nos dado o tempo necessário. E então vem a exaustão, não se tem mais cabeça para nada, não se tem mais tempo para nada, e consequentemente, não vivemos, apenas cumprimos metas e horários, e acabamos nos sufocando com eles, nos vemos sem ar, sem um tempo para parar e respirar, sem um tempo para descansar a mente, sem um tempo para nós. É aí que entram as férias. Tempo - que deveria ser suficiente, mas nunca é - para nós mesmos. É aí que frases como "preciso de férias"são comuns e mais frequentes. É aí que devemos gerir o nosso próprio tempo, ao invés de deixar que ele nos leve e administre nossa vida. Afinal, como já dizia Legião Urbana "Temos nosso próprio tempo, temos todo o tempo do mundo", a questão está na capacidade de usar o tempo a nosso favor.

17 de junho de 2015

Essere resistente

"Resiliência: 1. Qualidade que apresentam alguns corpos de voltar a forma original, elasticidade; 2. Resistência, resiliência às adversidades." Ao tentar encontrar inspiração para o blog, encontrei em meus cadernos essa definição, passada pelo professor Caio na aula de Projetos Culturais, sobre resiliência. Ok, o que é resiliência, e mais importante, o que é ser resiliente? Resiliência, assim como o dicionário diz, é um ser que tem a capacidade de voltar a forma original apesar das adversidades e dos obstáculos. Logo, ser resiliente é ter essa capacidade. E, através das interpretações debatidas em sala de aula, com a ajuda do próprio Caio e do Thiago, foi possível perceber a importância de ter essa qualidade. Passamos por momentos estressantes, sofremos com mágoas e enfrentamos milhares de dificuldades ao longo dos dias, situações e problemas que por vezes nos fazem mudar o que somos essencial e originalmente. Por isso a capacidade de ser resiliente se torna necessária, necessária ao ponto de depender dela para não se perder do que você é. Por isso esse foi um conceito que eu guardei na mente, por causa dessa necessidade. E assim, deixo aqui o conselho, seja resiliente o quanto puder e sempre que puder. E na tentativa de ser resiliente, me comprometo a buscar a inspiração precisa para que textos como esse sejam mais frequentes por aqui.

21 de maio de 2015

Educazione, dove sei?

     Escrevo este texto com a finalidade de expressar toda a minha raiva, minha revolta, minha tristeza e, principalmente, compartilhar plenamente, com vocês leitores, a causa desta minha indignação. Desde a minha primeira postagem eu venho afirmando que a escola é um lugar de muitas experiências e vivências, o âmbito no qual aprendemos literalmente a viver. Mas, ao ler uma reportagem, postada pelo jornal O Estadão, com a seguinte manchete "Estudante de 12 estuprada por 3 pediu 'desculpa' para mãe", me perguntei "como posso tentar convencer a todos de que estar no colégio e, também, participar desse meio é algo essencial se ações como essa são cada vez mais frequentes?" Como posso dar continuidade a esse raciocínio, quando muitas escolas desse Brasil simplesmente não estão aptas a receber e educar de forma coerente e segura o estudantes? Hoje, podemos observar nas escolas, principalmente nas públicas, bolsas recheadas de drogas, bebidas e armas, ao invés de conter livros, cadernos e canetas. Encontramos traficantes, estupradores e delinquentes, ao invés de estudantes conscientes de que o futuro deles começa naquele prédio. Carecemos de professores motivados, que dão exemplos, que fazem a diferença e, realmente, eduquem com respeito e dedicação aqueles poucos que ainda procuram ser verdadeiros cidadãos. De outro modo, temos professores entregados ao medo, a mercê da 'piedade' dos estudantes, dominados e desamparados. Nas casas, muitas famílias não se interessam pelo estudo das crianças e ainda são capazes de culpar os educadores pelo mau desempenho dos filhos. Mais ainda, também possuímos uma sociedade que faz pouco caso da educação e de quem se dispõe a trabalhar e lutar por ela. E, para finalizar, somos controlados por um governo que não é capaz de ver que o quanto o país depende dela. Nesse sentido, meu objetivo com este texto é fazer uma reflexão a respeito da crise corruptiva que permeia nosso sistema educacional. Uma crise caracterizada por um estado repleto de greves e revoltas, rodeada de más intenções, sem a mínima educação, desprovida de civilidade e, principalmente, marcada pela perda total de humanidade. Partindo do princípio de que a busca do saber é o que produz o desenvolvimento e de que a educação, em sua essência, é o que move o mundo é pertinente levantar os seguintes questionamentos: por que ela não é levada a sério e não é tratada com respeito? Ou melhor, por que ela é tratada com descaso e sem nenhuma valorização? Pode-se afirmar que a dificuldade em reconhecer o valor do conhecimento permite professores sofrerem abusos e agressões. Contribuí para a depredação e destruição das escolas, muitas vezes causadas pelos próprios alunos. Logo, esses podem ser os motivos de tanta miséria, de tanto crime e de tantos atos como os da manchete citada. Gostaria com essa reflexão fazer um apelo a você leitor, a você estudante, a você que está inserido em uma das poucas escolas privilegiadas que não apresenta essa realidade, que além de se preocupar com aqueles que não possuem essa condição, também se dispusesse a contribuir para que a educação não seja só uma palavra, um adjetivo, mas sim, parte efetiva da nossa realidade, parte de nós. Ainda sonho com o dia em que notícias como essa serão apenas história.

PS.: Os exemplos citados são meras generalizações, reconheço que vários colégios, professores e alunos lutam ardentemente para mudar essa realidade.
PSS.: O link da manchete está na própria manchete.

11 de maio de 2015

Il lato oscuro della luna

Na minha concepção de estudante, a maior dificuldade que temos não é só saber conciliar os estudos com o trabalho, o curso extra e a vida social. Mas sim saber definir e selecionar os sentimentos, o que ocupa nossa mente e nosso coração. Estar na sala de aula e estar com a cabeça em outros problemas, em outros obstáculos, em outros acontecimentos que acabam por atrapalhar nosso raciocínio é o que mais nos consome. Como já disse, o ambiente escolar não é só estudo e conteúdo e provas, e sim um lugar de vivencia, de relacionamento, lugar complexo, que inúmeros assuntos. Porém, dividir o tempo diário é algo concreto, matemático, podemos calcular, deixamos de fazer algumas coisas e já arrumamos o tempo necessário para aquela pesquisa, ou aquele livro de literatura que precisamos ler para o seminário. Mas quando diz respeito aos nossos sentimentos, não temos alternativa que nos faça concentrar. Perdemos o foco, acabamos viajando nos pensamentos, compenetrados não pela matéria, mas naquela pessoa; focados não em achar a solução para aquele cálculo matemático, mas no problema que temos fora - ou até mesmo dentro - da classe. Esse sim é o maior desafio dos jovens estudantes, tantos sentimentos, tantas pessoas, e ainda tantos conteúdos, desafios, trabalhos, fórmulas, detalhes da história que não podemos esquecer, vestibular, provas e por aí vai. E tudo isso nos é exigido com rigidez, como obrigação, temos que ser os melhores no que fazemos, ter as melhores notas, alcançar a maior pontuação no vestibular, ser interessante, culto, educado, pacifico, calmo, simpático e por que não dizer alienado? Não se pode extravasar, não se pode pedir um tempo, pedir pra sair, pedir "arrego", como diz meu querido amigo Sitoni. Não podemos. Precisamos ser perfeitos todo o tempo. Precisamos ser aceitos pela sociedade, e se escorregamos, se damos um passo em falso, lá se vão os esforços pra tanto. E, diante de todo esse emaranhado de coisas, peço educadamente, que nos respeitem, que tentem entender que fazemos tudo o possível para aparecer como aquela pessoa inquebrável, e por isso, tenham paciência com nossas crises - existenciais, de fúria, de medo, de insegurança. E termino compartilhando da letra de uma música "Querendo o que não podia ter sido, ser feito de aço e não de vidro" (Capital Inicial).

8 de maio de 2015

Studiaremo

Quais suas experiências educacionais? Quais suas vivências num âmbito o qual passamos boa parte do dia? O que se aprende no colégio? Aprendemos como usar as leis da físicas, como fazer cálculos, dos mais variados e complicados, aprendemos as características sobre outras sociedades, a história das civilizações. Aprendemos a escrever, aprendemos a ler, aprendemos a ser. Tornamo-nos mais humanos, modificamos nosso caráter, nosso entendimento, nossas opiniões. E por que não dizer que aprendemos a viver? Aprendemos a nos expressar, aprendemos a respeitar, a conviver, descobrimos quem realmente somos, descobrimos nós mesmos. E por que não dizer que aprendemos a amar? Cativamos e somos cativados, cultivamos amizades que serão levadas para o mundo, formamos laços, relações duradouras. Construímos confiança mútua e apoio recíproco. E é esse o objeto que levaremos para fora do prédio escolar, no mais íntimo da nossa alma, levaremos o amor que nos foi ensinado, o amor que em nós foi cultivado. Levaremos os bons conselhos, carregar-nos-emos daquilo que nos faz sorrir quando o Universo conspira contra nós, quando o único adereço que o Universo nos oferece são as lágrimas. É no colégio que somos quem queremos ser, que enxergamos o que nos é ocultado, que aprendemos acima de tudo a construir nossa existência, nossa vida e nosso legado. E sejamos realistas, sentiremos falta de cada momento. De cada evento, de cada projeto, de cada ensinamento, de cada instrução. Levaremos tudo em nós. Pois, "a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida" (Dawley, John).